9.11.09

Encontro de (tans)formação

Malas cheias de sonhos,
Corações repletos de amor
Mãos desejosas de repartir
Aquilo que a vida ensinou

Truffa, Caróis e Jujuba
Alegria, amizade, doçura
Muito pra ensinar
Mais ainda a aprender
Muito mais do que esperávamos receber

Uma viagem que entra pra história
Que marca a vida
Que aquece o coração
Mais pelo amor das pessoas
Que pelo calor do sertão

Patos...
Crianças, professoras
Céu azul, sol e vento
Esperança
Em cada olhar, a todo momento
.

6.10.09

Se eu fosse eu em uma análise estética...

Por conta de um trabalho da pós, mergulhei no mundo de Clarice Lispector como nunca havia feito antes. Me propus a estudar "Se eu fosse eu", uma das crônicas publicadas por ela no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973. Alguns achados interessantes - dentro do texto e de mim.

Se eu fosse eu

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

25.5.09

Mente.

Mente.
Diz que sou a mais linda.
Que não via a hora de me ver.
Que meu sorriso é o que te acalma.
Que precisas do meu abraço.

Mente.
Fala que não há outra melhor que eu.
Que és o mais apaixonado de todos.
Que é em mim que buscas força.
Que sou de onde vem tua inspiração.

Mente.
Mente porque a verdade,
Verdade verdadeira,
É que sem tuas mentiras
Já não sei viver.

19.5.09

Era uma vez.

Texto do meu lindo. Sobre nós e nossas tentativas.

Era uma vez.
Mas acharam pouco, e por isso resolveram ser duas.
Da segunda pra terceira foi um pulo.
Da terceira pra quarta, nenhum susto.
Outros números vieram mais.
E de tantas vezes a contar
já não se sabe onde vão dar.
Resolveram então mudar o verbo
e ao invés de deixar ser outra vez
eles agora resolveram ser de vez.
Alguém sabe o que esperar?

16.3.09

Tentando pensar de menos.

No pienses de más
Jorge Drexler

No pienses de más
cuando te quedes sola.
No pienses de más,
no dejes pasar las horas.

La vida es así,
cambia el viento,
cambia la estación,
no siempre se encuentrauna razón...

No pienses de más
No esperes de mí
que venga y te lleve lejos,
no esperes por mí,
yo no puedo dar consejos.

No me hagas hablar,
no te traigo más que esta canción,
yo no entiendoni a mi corazón.

No pienses de más
No me escuches
no ves que estoy dolido...
No me sigas,
yo también estoy perdido...

Y no todo se vemirando por una lupa,
no todo se ve,
no sé de quien fué la culpa,
nunca lo sabrás,
cambia el viento,
cambia la estación,
no siempre se encuentrauna razón...

No pienses de más

18.2.09

Que sou eu?

"As perguntas: 'Quem és?' ou 'Quem sou?' têm respostas fáceis: a pessoa conta a sua vida e assim se apresenta aos outros. A pergunta que não tem resposta formula-se de outra maneira: 'Que sou eu?' Não 'quem' mas 'quê'. Aquele que fizer essa pergunta enfrenta-se com uma página em branco e o pior é que não será capaz de escrever uma palavra que seja".
José Saramago