21.12.08

E pra não morrer sufocada, escrevo.

Que estranha a sensação de não se sentir em casa onde deveria ser o lugar mais acolhedor. Tudo é calmo em volta, há um certo calor e carinho, mas um frio dilacerante por vezes corta o ar e chega ao coração. É estranho não poder ser quem é, integralmente, julianamente. Estranho medir palavras, gestos, gostos, crenças. Estranho viver apenas uma face de um todo complexo construído pela experiência.

A experiência vivida à distância acabou por criar uma pessoa diferente daquela que se pretendia ter. Uma pessoa nova, com mais dúvidas, com novas respostas, com diferentes anseios. Perguntas que parecem feias, respostas que parecem desafiadoras, anseios que parecem afrontas. Uma pessoa nova e incompreendida.

E de onde vem tanta incompreensão? Será da visão de um mundo onde tudo é mais controlável? Onde há um script simples, pronto a ser seguido? Será do desejo de cuidar, proteger? Será do medo de perder alguém que tanto se ama?

Venha de onde venha, quero ter a certeza sobre de onde ela não vem. Não, não vem de Deus. Dele só pode vir amor, amor que acolhe, amor que cura, amor que liberta. Amor capaz de enviar seu filho como um bebê indefeso exatamente pra viver as maiores aventuras neste mundo onde nada pode ser previsto e controlado - embora queiramos fazê-lo. Amor incondicional. Amor transformador. Amor à espera de abraçar.

Quero um abraço. Um abraço que compreenda.

*Pensando em Procurando Nemo. Na aventura de um filho perdido em alto mar, que fez um pai vencer seus próprios temores. Aventura que uniu pai e filho. Aventura que ensinou.


0 comentários: